
Mesmo depois de décadas de colonização, a cidade de Alta Floresta, situada na Amazônia Legal ainda possui muitos fragmentos de mata amazônica na zona urbana e rural. As áreas verdes ainda abrigam grande número de espécies da fauna, muitas delas endêmicas. No entanto, a cidade tem enfrentado um problema diário em suas vias públicas e estradas vicinais: o atropelamento de animais silvestres.

Os registros aumentam a cada dia, não só de atropelamentos como também de animais perambulando pelas ruas. Os choques entre animais e carros se intensificaram nos últimos anos. Conforme dados do Corpo de Bombeiros de Alta Floresta, todos os dias são feitos resgates de animais pela cidade. A Prefeitura de Alta Floresta em parceria com a Unemat, Fundação Ecológica Cristalino – FEC, Sema e Ibama identificaram 13 pontos críticos nas vias públicas onde ocorrem maior incidência dos atropelamentos.
Entre as vítimas do trânsito está o zogue-zogue-de-alta-floresta (Plecturocebus grovesi) espécie recentemente descrita pela ciência e entre os 25 primatas mais ameaçados do mundo, conforme a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Outros animais, alguns ameaçados de extinção estão entre as vítimas dos atropelamentos: macaco-aranha-de-cara-preta, anta, gavião-real, araras, bicho-preguiça, capivaras, cutia, cobras, onça-pintada, onça-parda, macaco-prego, sagui.

O Laboratório de Zoologia e da Coleção Zoológica da UNEMAT – Campus Alta Floresta que recebe voluntariamente doações de carcaças de animais que tenham morrido em acidentes no perímetro urbano aponta que entre os meses de março de 2022 a setembro de 2023, foram doados ao laboratório 65 animais silvestres atropelados. As carcaças são utilizadas em atividades didáticas de ensino, pesquisa e extensão. Entre os meses de março de 2022 a setembro de 2023, foram doados ao laboratório 65 animais silvestres atropelados.
Preocupados com essa realidade instituições públicas e não-governamentais se uniram com o propósito de encontrar soluções para reduzir os acidentes. No próximo dia 25 de outubro, a Prefeitura Municipal de Alta Floresta, a Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) e a Fundação Ecológica Cristalino (FEC) e parceiros realizam evento aberto à comunidade no Museu de História Natural de Alta Floresta às 19 horas.
A Fundação Ecológica Cristalino – FEC convidou a bióloga Fernanda Abra, Mestre em Ecologia de Ecossistemas Terrestres e Doutora em Ecologia aplicada pela USP e pesquisadora posdoc associada ao Centro de Conservação e Sustentabilidade do Smithsonian em Washington DC, Estados Unidos para apresentar soluções para evitar os atropelamentos.
Durante sua palestra “Atropelamentos da Fauna Silvestre de Alta Floresta” a bióloga apresentará dados sobre os graves acidentes nas estradas envolvendo motoristas e animais da fauna silvestre e medidas mitigadoras implantadas em vários lugares do Brasil. “A prevenção de colisões com a fauna é uma forma de proteger animais e pessoas. O trânsito e as estradas precisam ser seguras para todos”, alerta.
“Com certeza podemos dizer que o atropelamento de animais silvestres é a principal causa de perda crônica de fauna no Brasil, junto com a caça ilegal e o tráfico de animais”, diz Fernanda Abra, vencedora do Prêmio Future for Nature Awards 2019, um dos mais importantes do mundo para iniciativas voltadas à proteção de animais silvestres.

Abra explica que essa retirada em grande quantidade de animais da natureza tem impacto ainda maior em espécies em risco de extinção, de reprodução lenta – que não aguentam fortes pressões do meio externo – e aquelas consideradas topo de cadeia, das quais muitas outras dependem para sobreviver.
Entidades se unem para encontrar soluções

O grupo criado para discutir os problemas em relação a fauna silvestre de Alta Floresta e soluções é uma iniciativa colaborativa entre diferentes instituições, tais como: 7ª Companhia Independente Bombeiros Militar – 7ª CIBM – Alta Floresta, Diretoria Regional de Alta Floresta – SEMA/MT, Unidade Técnica do IBAMA de Alta Floresta, Aeroporto de Alta Floresta/COA, UFMT – Campus Sinop, Instituto Ecótono, UNEMAT/AFL, Via Brasil, Fazenda Anacã e vereadora Ilmarli Teixeira, Conselho Municipal de Meio Ambiente – COMDEMA e Defensoria Pública.
Texto: Josana Salles – Coordenação de Comunicação da FEC














